Entre as águas da Baía de Guaratuba e a tradição caiçara, nasce uma das expressões culturais mais autênticas do litoral paranaense.
Guaratuba carrega em sua essência muito mais do que paisagens naturais e qualidade de vida. Entre suas tradições mais autênticas está uma atividade que conecta natureza, cultura, gastronomia e comunidade: o cultivo de ostras em Cabaraquara.
Recentemente, a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) aprovou um projeto de lei que reconhece oficialmente o cultivo, o manejo e o preparo das ostras da comunidade como patrimônio imaterial do Estado. Mais do que um reconhecimento simbólico, a iniciativa valoriza um saber construído ao longo de gerações e reforça a importância da cultura caiçara para o desenvolvimento sustentável do litoral.
Para nós, que temos nossa história conectada a Guaratuba, iniciativas como essa representam o fortalecimento da identidade local e a preservação daquilo que torna esta região tão especial.
O reconhecimento valoriza conhecimentos transmitidos entre gerações e fortalece a cultura caiçara de Guaratuba.Foto: Restaurante Ostra Viva / TripAdvisor – Reprodução
Localizada às margens da Baía de Guaratuba, Cabaraquara é uma comunidade tradicional que transformou a maricultura em parte da sua identidade cultural e econômica.
O reconhecimento aprovado pela Alep busca proteger não apenas a produção em si, mas também o conhecimento transmitido entre famílias de maricultores ao longo das décadas — uma herança que reúne técnicas de cultivo, relação com o ambiente e modos de preparo que fazem parte da memória local.
Após a aprovação legislativa, o processo deverá seguir para os registros junto à Secretaria de Estado da Cultura e posteriormente para avaliação em âmbito federal pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Além de movimentar a economia local, a ostreicultura se tornou um dos grandes atrativos gastronômicos de Guaratuba.
Atualmente, a produção de ostras em Cabaraquara é conduzida por cerca de dez maricultores associados à Aguamar (Associação Guaratubana de Maricultores), responsáveis por aproximadamente 80 mil dúzias produzidas por ano.
Além de gerar renda para famílias locais, a atividade se consolidou como um importante atrativo do turismo gastronômico em Guaratuba.
O diferencial está na combinação entre tradição e território: as características ambientais da Baía de Guaratuba — como qualidade da água, condições naturais e técnicas locais de cultivo — contribuem para um produto reconhecido pelo sabor leve e delicado.
O selo de Indicação Geográfica reconhece a relação única entre território, tradição e qualidade.Ostras Restaurante Sítio Sambaqui – Cabaraquara
Outro marco importante para a comunidade veio com a conquista do selo de Indicação Geográfica (IG) concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Esse reconhecimento identifica produtos cuja reputação e características estão diretamente ligadas ao território de origem. No caso das ostras de Cabaraquara, a certificação reforça algo que moradores e visitantes já conhecem há anos: existe uma relação única entre o ambiente da baía e a qualidade da produção.
A conquista também posiciona Guaratuba em um movimento maior de valorização de produtos regionais brasileiros e amplia oportunidades para o turismo, gastronomia e economia local.
Quando tradições locais recebem reconhecimento oficial, toda a comunidade se fortalece.
Valorizar atividades como a ostreicultura significa preservar modos de vida, incentivar práticas sustentáveis e criar novas oportunidades para que futuras gerações continuem encontrando em Guaratuba um lugar para viver, empreender e construir histórias.
Nós acreditamos que o desenvolvimento acontece justamente nesse encontro entre identidade local, inovação e respeito ao entorno.
Porque quando uma cidade valoriza suas raízes, ela cria um futuro mais forte — e mais leve.
Nativa Onde a vida é mais leve.
Alep reconhece cultivo de ostras de Cabaraquara como patrimônio do Paraná — e reforça um dos maiores símbolos de Guaratuba
Entre a serenidade das águas e a grandiosidade da natureza: a beleza única da Baía de Guaratuba