Projeto: Baggio & Schiavon Foto: Marcelo Araújo
Muito antes de se tornar tendência na arquitetura contemporânea, a biofilia já fazia parte da forma como os seres humanos viviam, construíam e se relacionavam com o espaço ao redor.
Pátios internos, jardins, ventilação natural, iluminação abundante e integração com a paisagem sempre estiveram presentes em diferentes períodos da história da arquitetura. O que muda hoje é a consciência sobre o impacto que esses elementos exercem na saúde, no bem-estar e na qualidade de vida.
Em um mundo cada vez mais urbano e acelerado, a biofilia surge como resposta à necessidade de reconexão com a natureza — não apenas como estética, mas como experiência de viver.
Mais do que inserir plantas nos ambientes, ela propõe uma arquitetura sensorial, humana e emocional.
E talvez seja justamente por isso que a biofilia deixou de ser apenas uma tendência para se tornar um dos movimentos mais importantes da arquitetura contemporânea.
O termo “biofilia” foi popularizado pelo biólogo norte-americano Edward O. Wilson no livro Biophilia (1984).
Segundo Wilson, os seres humanos possuem uma tendência natural de buscar conexão com a natureza e outras formas de vida. Essa relação estaria ligada à própria evolução da espécie e influenciaria diretamente nossa saúde física e emocional.
Na arquitetura, a biofilia se traduz em espaços que aproximam as pessoas da natureza por meio de:
Hoje, diversos estudos reforçam essa conexão entre natureza e bem-estar.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ambientes com presença de áreas verdes podem contribuir para a redução do estresse, melhora da saúde mental e aumento da qualidade de vida.
Projeto: Baggio & Schiavon
Embora o termo biofilia seja recente, muitos arquitetos já exploravam essa relação entre arquitetura e natureza muito antes dela ganhar esse nome.
A biofilia contemporânea nasce justamente do encontro entre arquitetura, urbanismo, sustentabilidade e experiência humana.
Poucos nomes traduzem tão bem essa relação quanto Frank Lloyd Wright.
Considerado um dos arquitetos mais influentes do século XX, Wright defendia a chamada “arquitetura orgânica”, conceito que buscava integrar construções e paisagem de forma harmoniosa.
Sua obra mais famosa, a Fallingwater, construída em 1935, tornou-se um dos maiores símbolos dessa filosofia.
A residência foi projetada literalmente sobre uma cascata, utilizando pedra natural, grandes aberturas e integração total com a floresta ao redor.
Mais do que observar a natureza, a proposta era fazer parte dela.
A Fallingwater, projetada em 1935, tornou-se um dos maiores símbolos da arquitetura orgânica. Projeto: Frank Lloyd Wright Fotografia: divulgação / Fallingwater.org
Outro nome essencial para entender a relação entre arquitetura e bem-estar é Le Corbusier.
Embora associado ao modernismo urbano, Le Corbusier defendia princípios como ventilação, iluminação natural e espaços abertos como elementos fundamentais para habitação saudável.
Projetos como a Villa Savoye exploravam terraços-jardim, grandes janelas e integração visual com o entorno — conceitos que hoje dialogam diretamente com o design biofílico.
A arquitetura moderna também abriu espaço para iluminação natural e integração visual com o entorno.Projeto: Le CorbusierFonte: Fondation Le Corbusier / ArchDaily.
No Brasil, poucos profissionais influenciaram tanto a relação entre arquitetura e natureza quanto Roberto Burle Marx.
Responsável por revolucionar o paisagismo moderno brasileiro, Burle Marx valorizava espécies nativas e defendia jardins como parte essencial da experiência arquitetônica.
Sua obra ajudou a aproximar arquitetura, arte e meio ambiente de forma inovadora e profundamente conectada ao clima tropical brasileiro.
Mais do que decorar espaços, seus projetos criavam ambientes vivos, sensoriais e emocionalmente acolhedores.
Burle Marx revolucionou o paisagismo ao valorizar espécies nativas e integrar natureza à arquitetura brasileiraPaisagismo: Roberto Burle MarxFonte: Instituto Burle Marx / ArchDaily.
Nas últimas décadas, a biofilia passou a ocupar um papel central nos debates sobre cidades, saúde urbana e sustentabilidade.
Com o crescimento acelerado dos centros urbanos, surgiu também a necessidade de criar espaços mais humanos e equilibrados.
É nesse contexto que arquitetos contemporâneos começam a desenvolver projetos que priorizam:
Hoje, o design biofílico aparece em residências, hotéis, escritórios e empreendimentos de alto padrão ao redor do mundo.
Um dos exemplos mais conhecidos da arquitetura biofílica contemporânea é o trabalho do arquiteto italiano Stefano Boeri.
Seu projeto mais famoso, o Bosco Verticale, transformou edifícios residenciais em verdadeiras florestas verticais.
As torres contam com centenas de árvores e milhares de plantas distribuídas pelas fachadas, contribuindo para conforto térmico, biodiversidade e qualidade do ar.
O projeto se tornou referência mundial em sustentabilidade urbana e arquitetura verde.
O Bosco Verticale tornou-se referência mundial em arquitetura biofílica e sustentabilidade urbana. Projeto: Stefano Boeri Fonte: Stefano Boeri Architetti.
Outro nome importante é Kengo Kuma, conhecido por projetos que exploram madeira, luz natural e integração delicada com o entorno.
Sua arquitetura busca criar experiências sensoriais mais suaves e humanas, reduzindo a rigidez visual das cidades contemporâneas.
Para Kuma, a arquitetura deve aproximar pessoas da natureza — e não afastá-las dela.
A arquitetura de Kengo Kuma busca criar experiências mais humanas, leves e sensoriais. Projeto: Kengo Kuma Fonte: Kengo Kuma & Associates.
A valorização da biofilia também reflete uma transformação cultural.
As pessoas passaram a buscar ambientes que proporcionem:
Depois de anos em que a arquitetura priorizou velocidade, densidade urbana e funcionalidade extrema, cresce o interesse por espaços mais leves, naturais e sensoriais.
Segundo especialistas da ArchDaily Brasil, o design biofílico vem sendo adotado como estratégia para criar cidades mais saudáveis e ambientes mais equilibrados emocionalmente.
Mais do que tendência estética, trata-se de uma mudança na forma de pensar a experiência de viver.
Espaços conectados à natureza ajudam a promover relaxamento, conforto e bem-estar.
Poucos cenários traduzem tão bem a biofilia quanto o litoral.
A presença constante da paisagem natural, a iluminação abundante, a ventilação natural e o ritmo mais desacelerado criam ambientes que favorecem bem-estar e qualidade de vida.
Em Guaratuba, natureza e arquitetura convivem de forma única.
E é justamente essa conexão que inspira a Nativa em cada projeto.
Porque acreditamos que a arquitetura deve ir além da estética. Ela deve acolher, conectar e proporcionar experiências autênticas.
Mais do que construir empreendimentos, buscamos criar refúgios onde a vida aconteça de forma mais leve, integrada e significativa.
Fontes consultadas:
Juntos por um mar sem lixo: nosso apoio ao 18º Mutirão de Limpeza da Baía de Guaratuba
Biofilia: a arquitetura que reconecta pessoas à natureza