Casarão do Porto, sede da Casa da Cultura de Guaratuba e um dos remanescentes da arquitetura colonial do município. Foto: Portal do Turismo de Guaratuba.
Há lugares que fazem mais do que ocupar um endereço. Eles guardam lembranças, atravessam gerações e ajudam a contar quem somos. Em Guaratuba, poucos espaços representam tão bem essa relação entre passado e presente quanto o Casarão do Porto, sede da Casa da Cultura.
Após passar por melhorias internas, o espaço histórico reabre suas portas ao público, renovando o convite para que moradores e visitantes conheçam mais de perto as histórias que ajudaram a construir a identidade guaratubana.
Para nós, que temos nossa trajetória profundamente conectada a Guaratuba, ver um patrimônio como esse ganhar novos usos e novas formas de aproximar as pessoas da cidade é também celebrar aquilo em que acreditamos: uma comunidade se fortalece quando preserva suas raízes e, ao mesmo tempo, cria espaço para novos encontros.
Localizado na Praça dos Namorados, no Centro Histórico, o Casarão do Porto é um dos edifícios mais antigos de Guaratuba.
Segundo o Portal do Turismo do município, sua construção é situada entre 1822 e 1825. Já em 1827, o imóvel apareceu registrado em uma aquarela do artista francês Jean-Baptiste Debret. Ao longo de sua existência, teve diferentes funções, passando por usos ligados ao comércio, à moradia e à vida pública da cidade.
Sua importância ultrapassa os limites municipais. A Coordenação do Patrimônio Cultural do Paraná identifica o sobrado como um dos últimos remanescentes da arquitetura colonial da região e confirma seu tombamento estadual em 30 de dezembro de 1966, no Livro do Tombo Histórico.
Preservar um imóvel como esse significa manter viva uma parte concreta da trajetória de Guaratuba. Como explica o próprio Governo do Paraná, o tombamento é um instrumento de reconhecimento e proteção de bens importantes para a história, a memória, a cultura e a identidade coletiva.
Guaratuba em 1827, retratada por Jean-Baptiste Debret. A aquarela é um dos registros iconográficos mais antigos conhecidos da cidade. Imagem: Wikimedia Commons / domínio público.
A reabertura traz também uma nova forma de apresentar o acervo da Casa da Cultura.
O espaço interno foi reorganizado para conduzir o público por diferentes momentos da história local, formando uma narrativa que parte das populações mais antigas da região e acompanha as transformações que deram origem à Guaratuba que conhecemos hoje.
Mais do que observar objetos, fotografias e registros históricos, a proposta permite estabelecer conexões. Entre o território e quem vive nele. Entre as gerações que construíram a cidade e aquelas que continuam escrevendo sua história.
E esse olhar para o passado ajuda a compreender a dimensão histórica de Guaratuba. De acordo com o IBGE, a povoação foi elevada à categoria de Vila em 27 de abril de 1771, com a denominação de São Luiz de Guaratuba da Marinha.
São mais de dois séculos de transformações que permanecem presentes na arquitetura, nas tradições e na relação da comunidade com o Centro Histórico.
A retomada da Casa da Cultura também se conecta ao projeto Vem Pra Vila, iniciativa da Prefeitura de Guaratuba criada para valorizar a história local e incentivar a convivência nos espaços públicos.
Até o nome guarda memória.
Segundo a Secretaria Municipal da Cultura e do Turismo, durante décadas era comum ouvir moradores dizerem “vamos pra Vila” quando seguiam em direção ao centro, então principal ponto de comércio, celebrações e encontros da comunidade. O projeto recupera essa expressão afetiva e a própria origem de Guaratuba como vila.
A proposta é simples, mas significativa: voltar a ocupar as praças, encontrar pessoas, vivenciar o centro e transformar os espaços históricos em parte da rotina da cidade — não apenas durante a alta temporada.
Por causa das condições climáticas, a programação originalmente prevista para 29 de agosto precisou ser reorganizada. A agenda oficial do município informa a reabertura da Casa da Cultura em 2 de setembro, às 16h, na Praça dos Namorados. Já o Vem Pra Vila – Especial Cine Média Luz será realizado em 6 de setembro, às 18h30, no mesmo local.
O projeto Vem Pra Vila incentiva moradores e visitantes a ocuparem novamente os espaços públicos do Centro Histórico. Foto: Prefeitura Municipal de Guaratuba.
Guaratuba é conhecida por suas praias, pela baía e pela natureza que transforma a paisagem a cada dia. Mas viver a cidade por inteiro também significa descobrir suas histórias, suas tradições e os espaços que resistiram ao tempo.
É por isso que a reabertura da Casa da Cultura representa algo maior do que a renovação de um edifício. Ela devolve à comunidade um lugar de memória, conhecimento e convivência.
Na Nativa, acreditamos que fazer parte de Guaratuba também é reconhecer e valorizar tudo aquilo que torna esta cidade única. Temos orgulho de construir nossa história aqui e de acompanhar iniciativas que fortalecem vínculos, preservam memórias e criam novas possibilidades para quem escolheu Guaratuba para viver, visitar ou construir seu próprio refúgio.
Porque uma cidade especial não é feita apenas de paisagens. É feita de histórias, encontros e pertencimento.
Praça dos Namorados, no Centro Histórico de Guaratuba: um espaço de convivência voltado para a Baía. Foto: Silvia Maciel/Prefeitura de Guaratuba.
Guaratuba segue preservando suas raízes enquanto olha para o futuro — e nós seguimos felizes por fazer parte dessa história.
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